Philip Kotler fala sobre os novos tempos do Marketing
Imagine que todos os médicos fossem atuar nas extremidades de seu mercado. Eles se tornariam, ao mesmo tempo, profissionais de pronto-socorro e de postos de saúde que objetivam a prevenção. É mais ou menos isso que as empresas terão de fazer na nova era do caos.
Trata-se da aposta do “pai” do Marketing Philip Kotler, segundo o qual a partir de agora as empresas terão de instalar um sistema de alerta (prevenção) e resposta rápida (o atendimento de pronto-socorro) que lhes permita desenvolver rapidamente novos cenários quando a economia entrar em queda, o que deve acontecer com frequência, e atuar neles.
Em outras palavras, as empresas precisarão abandonar a sensação de segurança que haviam construído com políticas, estratégias e táticas resultantes de anos de tentativa e erro e aceitar que agora surgiu um ponto de inflexão estratégica gigantesco. Ou mantêm a estratégia e correm os riscos derivados dessa decisão – o novo ambiente pode castigar e, inclusive, levar à ruptura–, ou reconhecem a necessidade de uma nova.
O novo livro de Kotler, Chaotics (escrito em parceria com John A. Caslione e publicado pela Amacom) busca formatar essa nova estratégia, ou, como eles preferem chamá-la, esse sistema de gestão do caos. Em entrevista exclusiva a José Salibi Neto, Kotler repassa os fundamentos desse sistema e quais as especificidades para economias emergentes em geral e para o Brasil em particular. Vale notar que Kotler não entra no mérito sobre se isso é pior ou melhor – é diferente e, por enquanto, inevitável. E exige outra abordagem de enfrentamento pelas empresas.
Minha primeira pergunta não poderia deixar de ser: é verdade que nunca
mais voltaremos aos tempos normais?
Philip Kotler: Sabe o que eu ando dizendo aos presidentes de
empresas? Que eles precisam ter um telefone perto de suas camas à noite
no caso de uma grande ameaça ou grande oportunidade surgir, exigindo
sua atenção imediata. Companhias mundiais hoje operam 24 horas, sete
dias por semana, e o CEO simplesmente precisa estar disponível. Conheço
casos da Unilever e da Bear Sterns nos quais o fato de os CEOs não
estarem acessíveis quando necessário prejudicou os negócios.
Então, a resposta para você é: nunca mais voltaremos à idade de ouro da normalidade. John Caslione e eu achamos que os líderes empresariais precisam compreender isso de uma vez por todas. Fenômenos como globalização e digitalização introduziram uma nova dimensão de velocidade e interdependência em nossas vidas. Não há retorno possível.
Isso já vem sendo falado há algum tempo no mundo empresarial, mas, pelo
que eu depreendo do que o sr. diz, fala-se principalmente da boca para
fora...
Philip Kotler: Sim, isso foi articulado há alguns anos por
Andy Grove, CEO da Intel, em seu livro Só os Paranoicos Sobrevivem. Ele
dizia que uma empresa deve observar a frente, os lados e os fundos,
porque os golpes vêm de todos os lados, e esse é, de fato, o princípio
básico para as empresas se armarem melhor. O que nós fizemos foi
aprofundá-lo e detalhá-lo na prática e com os pontos de vista do
Marketing e da estratégia.
Em vez de confiar numa business intelligence casual, as empresas devem construir um amplo sistema de alerta, que lhes permita observar a frente, os lados e os fundos. Em vez de falar superficialmente sobre planejamento para contingências, devem fazer planejamento de cenários. Em vez de estabelecer um orçamento fixo para cada departamento, devem definir orçamento variável.
Os departamentos precisam saber com antecedência o que cortar se o mercado submergir e o que aumentar se as oportunidades de repente explodirem. Nosso sistema de gestão do caos [chaotics management system] apresenta um retrato da empresa do século 21 muito atento ao conjunto pronto de respostas a diferentes surpresas, choques e oportunidades que podem surgir.
O sr. pode nos dizer se há aspectos específicos para empresas de países
emergentes?
Philip Kotler: Acredito piamente que o sistema de gestão do
caos se aplica a todas as empresas de todos os países. Mas, se alguns
países são mais sujeitos a choques do que outros, e isso pode descrever
alguns países emergentes, é maior ainda a necessidade de nosso sistema
de gestão do caos.
Em um momento em que as economias emergentes ganham os holofotes e que
a projeção dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) parece cada vez
maior, esse sistema de gestão funciona apenas para o Marketing e a
estratégia de empresas ou também para o Marketing e a estratégia de
países?
Philip Kotler: Publiquei um livro há alguns anos sobre o
Marketing das nações. Os princípios básicos de construir uma economia e
uma sociedade fortes permanecem os mesmos ali descritos, mas muitos
ajustes são necessários devido ao aumento da turbulência que todos os
países agora estão vivenciando e também ao aumento de interdependência
– todo país tem de exportar para que possa ganhar o suficiente para
importar bens que são mais baratos em outros lugares. Além disso, as
cadeias de fornecimento estão ficando mais longas; qualquer interrupção
do fornecimento de um país tem ramificações em outros países, o que
gera uma “fragilidade interconectável”.
Não é possível ao Brasil voltar à autonomia que tinha nos anos 1960. O Brasil tem de saber produzir valor continuamente e saber comprar e vender em uma base de valor em qualquer lugar do mundo e, para isso, ele e todos os outros países precisam estar mais alertas aos fatos mundiais e à constante mudança que vem acontecendo. Com as devidas adaptações, nosso sistema de gestão do caos pode ajudá-los nisso, sim.
O sr. vê a inovação constante como essencial no sistema de gestão do
caos? Ou é mais uma questão de disciplina? Que lado – inovação ou
disciplina – as empresas em alerta vermelho permanente devem
priorizar?
Philip Kotler: Sempre achei que os gestores deveriam
considerar três períodos de tempo ao abordar o impacto de qualquer
decisão de vulto: agora; daqui a dois a três anos; de cinco a dez anos.
E continuo acreditando que isso é válido nesta era do caos. Quando a
administração só considera a disciplina de eficiência, é pensando
principalmente em hoje e tentando arrancar o maior lucro do período
corrente. Nunca pensei que esse foco no agora fosse suficiente.
Por exemplo, disciplina, no pensamento de [Peter] Drucker, quer dizer fazer certo as coisas (eficiência) mais do que fazer as coisas certas (eficácia). Só que líderes precisam ser eficazes, sobretudo de agora em diante. Então, a inovação é a prioridade. Tão absolutamente prioritária que sou a favor de construir o pensamento inovador em toda a organização.
Então, mudo minha pergunta: desses três horizontes de tempo, qual é o
prioritário no sistema de gestão do caos?
Philip Kotler: Nenhuma empresa deve começar seu pensamento
com o que fazer em relação à recessão atual. O ponto de partida é onde
ela quer estar daqui a cinco ou 10 anos. Que clientes ou problemas
sociais quer resolver? Ao trabalhar de trás para frente, a empresa
compreenderá qual o melhor mix de disciplina e inovação para seu
caso.
No caos, o sr. recomenda investir em oportunidades, manter as
pessoas-chave e não deixar de preservar as áreas que os consumidores
mais valorizam. Esse é o tipo de pensamento que deve prevalecer numa
empresa?
Philip Kotler: Sim, de agora em diante as empresas precisam
pensar proativamente sempre, não só durante uma queda. Uma sabedoria
velha, mas sempre atual é: um lado de uma crise é a vulnerabilidade; o
outro é a oportunidade. As empresas precisam fazer regularmente uma
análise SWOT para checar suas oportunidades, ameaças, fraquezas e
forças. Isso não significa que as mesmas táticas de ação são garantidas
tanto em tempos bons como ruins, mas pede uma mentalidade sempre
proativa.
Que oportunidades o sr. está identificando do outro lado dessa crise
especificamente?
Philip Kotler: Em geral, a oportunidade gira em torno de
avançar sobre os concorrentes, adquirindo seus ativos ou seus talentos.
Claro, isso é mais factível para empresas fortes financeira e
competitivamente. O avanço pode ser também roubar mercado dos
concorrentes – nessa seara, historicamente, companhias orientadas a
preço como McDonald’s e Walmart são as que se dão bem durante
recessões.
Estamos vendo um grande crescimento das dollar stores nos Estados Unidos, lojas onde as pessoas podem economizar; marcas mais baratas também vêm se destacando. Mas não creio que esse seja o único tipo de oportunidade de ganhar mercado. As empresas precisam descobrir respostas criativas para os consumidores que estão hesitando em comprar porque acham que os preços vão cair ainda mais ou porque têm medo de perder o emprego.
A Hyundai recentemente se ofereceu para receber de volta seu carro novo se o proprietário perdesse o emprego. Outra empresa se ofereceu para devolver a diferença se o preço caísse mais tarde, a fim de aumentar a vontade de comprar agora.
É possível resumir a essência do enfrentamento desta nova era do
caos?
Philip Kotler: Eu diria que acelerar mudanças, elevar os
níveis de complexidade nos negócios e mensurar os riscos e a incerteza
são a matéria-prima do Marketing e de sua nova realidade. Para se
defender, as companhias devem aumentar sua capacidade de adaptação em
todas as instâncias, especialmente nas áreas de Marketing e vendas.
Outro ponto fundamental é que são exigidos, no Marketing em particular,
grandes profissionais que consigam esperar o inesperado e que, em
tempos caóticos, possam reinventar os modelos de negócio e as
estratégias de Marketing, para reagir rápido aos fatos.
O sr. destacou as empresas orientadas a preço baixo em épocas
recessivas. Como a recessão será sempre ou iminente ou instalada, preço
virará a eterna prioridade do consumidor?
Philip Kotler: Recessões têm o efeito de construir “maior
consciência” nos consumidores. Estes passam a se perguntar: “Por que
precisamos de certos itens que comprávamos à vontade antes da recessão?
A comida em um restaurante caro é tão especial assim? A bolsa de grife
é muito melhor que as outras?”. Alguns começam a pensar “menos é mais”
em vez de morrer de trabalhar e ter pouco tempo de lazer. Se isso se
tornar uma visão difundida, mudará profundamente as premissas e
estratégias do Marketing convencional. Embora, quando a economia começa
a melhorar, a restrição diminua, não devemos esquecer que, talvez
paradoxalmente, o pensamento ambientalista tende a permanecer em alta
nestes tempos de caos. Não que o consumidor vá se envolver com a
grande questão de como controlar a mudança climática, mas, em seu
comportamento doméstico, buscará maneiras “menos é mais” de ajudar o
meio ambiente, apagando as luzes etc.
A neurociência vem fazendo grandes revelações sobre o consumidor. Ela
vai ajudar as empresas a enfrentar o caos?
Philip Kotler: Graças à neurociência, estamos, enfim,
desistindo do velho modelo propagado pelos economistas de que os
consumidores calculam racionalmente os custos e benefícios de cada
compra e escolhem a oferta que maximize a relação custo-benefício.
Sabemos que as emoções e o inconsciente desempenham grande papel na
escolha da marca. O trabalho de Gerald Zaltman e experiências de
economistas comportamentais estão revelando muita coisa sobre a escolha
do consumidor. Algumas descobertas são especialmente surpreendentes
para mim, como quando Martin Lindstrom, autor de Buy-ology, conta que
os pôsteres que trazem os dizeres “Cigarro mata” na verdade abrem o
apetite dos fumantes para acender um cigarro. O problema da
neurociência é que em geral ainda é muito difícil interpretar, explicar
ou confiar nela.
O sr. pode nos dar exemplos de empresas que vêm lidando bem com a
crise?
Philip Kotler: Para mim, são as que não só reduzem custos,
mas também agregam valor à vida de seus consumidores. O Walmart
contratou 33 mil novos colaboradores para incrementar o serviço nas
lojas e melhorar a experiência dos consumidores ali, facilitando a
movimentação naquelas lojas enormes. A e.l.f. Cosmetics se esforçou
para oferecer cosméticos de qualidade a preços baixos e torná-los
disponíveis para todos, e está usando as redes sociais para construir
uma comunidade de beleza na qual as consumidoras possam trocar
informações sobre suas necessidades e experiências.
A Half Price Books é uma varejista de livros de desconto que tem vendido por menos da metade do preço dos editores. Eles estão aumentando as lojas e vêm experimentando o crescimento nas mesmas lojas há vários meses, vendendo livros de autoajuda, inspiracionais, de treinamento e sobre novas carreiras. A Southwest Airlines, em vez de aumentar as tarifas de bagagem e refeições, se manteve como uma companhia aérea que não cobra taxas e obteve êxito em manter suas vendas e construir confiança com o público que viaja. Enquanto isso, outras companhias aéreas estão acrescentando taxas por excesso de peso nas bagagens, refeições etc. para manter altos seus lucros. Mas a Southwest Airlines está usando isso como oportunidade para divulgar o slogan “Sem taxas”.
Uma rede hoteleira mexicana demonstrou criatividade ao dizer que qualquer pessoa que pudesse ter contraído gripe suína em seus dez hotéis teria três diárias grátis nos próximos três anos se houvesse evidência de que tinham se contaminado em um hotel da rede. Em todos os países podem ser encontradas empresas que estão transformando a crise em oportunidade.
Qual seria o papel da mídia digital no sistema de gestão do caos de
companhias de todos os tipos? Ela torna mais fácil gerenciar essa
situação?
Philip Kotler: A mídia digital tem dois papéis nessa
história. Ela exacerbou a disponibilidade e a velocidade de transmissão
de notícias tanto para o bem como para o mal. Para o bem, considere, de
um lado, a rapidez com que a gripe suína se alastrou e, de outro, a
rapidez com que as informações sobre ela circularam e com que os países
tomaram precauções para proteger sua população. O aspecto nocivo é que
as pessoas precisam lidar com a informação com cuidado. É mais fácil do
que nunca circular desinformação e rumores que podem ferir ou iludir
pessoas e empresas. Vivemos em uma era de muita informação e as
empresas devem alocar recursos para detectar e gerenciar os fluxos
dela. E, para isso, devem usar a própria mídia em sua função “para o
bem”, nesse estado que eu denomino de “alerta vermelho permanente”.
As mídias tradicionais – jornais na linha de frente – vêm tendo sua
morte anunciada todos os dias. O que o sr. pensa a esse
respeito?
Philip Kotler: Mídias raramente morrem. Elas geralmente
encolhem em nichos nos quais podem manter bom desempenho. A televisão
não matou o rádio ou o cinema. Os computadores não mataram a televisão.
Com relação à crise dos jornais, sei que é difícil manter um jornal
funcionando com seu tamanho atual quando a receita de anúncios está se
transferindo para a internet – e as pessoas jovens não recorrem aos
jornais para obter notícias. Os bons velhos tempos dos jornais se foram
de fato. Mas os jornais podem manter público tendo apelo mais
especializado e indo para a internet. Não acho que os anunciantes
consigam atingir seus objetivos se migrarem totalmente para a nova
mídia digital. A maioria das empresas vai ganhar se usar um mix de
novas e velhas mídias, cada uma fazendo o que faz melhor e sendo
medida.
Qual é o papel das redes sociais para as empresas neste novo mundo
caótico?
Philip Kotler: Redes sociais como Facebook, MySpace, Twitter
e outras desafiam nossas práticas de Marketing tradicionais. Primeiro,
porque as pessoas passam mais tempo conversando com amigos e família em
seus computadores e telefones e, consequentemente, menos tempo vendo
TV, cujos comerciais costumavam ser a maior fonte de influência
publicitária. Hoje a porcentagem de mensagens sobre marcas vindas de
fontes comerciais em contraposição a fontes sociais está diminuindo
rapidamente. Então, cabe aos profissionais de Marketing fazer duas
coisas. Uma é monitorar as conversas para descobrir se sua marca é tema
de discussão e, se for, quão favorável ou desfavorável é a conversa.
Está cada vez mais difícil para uma empresa hoje oferecer má qualidade
e pouco valor sem que o boca a boca espalhe palavras venenosas sobre
sua marca.
As companhias estão cada vez mais em um aquário e não têm escolha além de produzir boa qualidade em troca de dinheiro. Segundo, as empresas precisam descobrir melhores maneiras de identificar potenciais clientes com a mídia social. Seria maravilhoso se uma empresa como a Wilson pudesse comprar uma lista de todos os membros do Facebook que tivessem o tênis como hobby. Infelizmente o Facebook não vai vender esse tipo de informação, porque isso afastaria seus membros. O mínimo que a empresa pode fazer é inserir e circular informações sobre si mesma em mídias sociais como blogs, podcasts e outras. O Twitter, que está mostrando rápido crescimento, é particularmente promissor por poder carregar mensagens curtas sobre uma marca para um número enorme de pessoas em seus computadores ou celulares.
É fácil construir marcas fortes em momentos como este? Como o sr.
avalia as chances para marcas de países emergentes em especial?
Philip Kotler: Uma crise econômica é um momento em que os
consumidores estão buscando custos mais baixos sem sacrificar a
qualidade. Os países emergentes têm a vantagem dos custos mais baixos.
A questão é se os produtores locais de marcas fortes em países
emergentes podem lançá-las com sucesso em países economicamente
avançados.
Minha resposta para isso é: sim, ainda mais com a ajuda das mídias
sociais de que acabamos de falar. Estou vendo um fabricante mexicano de
produtos de panificação vendendo bem sua marca no Texas e em outros
estados do sul dos Estados Unidos. Até porque os Estados Unidos têm
vários grupos de imigrantes, que servem de primeiro alvo a ser mirado
por uma marca emergente, ao qual se seguirão outros alvos.
Como ficarão as marcas durante os momentos de crise da era do
caos?
Philip Kotler: Uma crise econômica produz um momento de
“destruição criadora”. Os fracos afundam. E isso faz sentido porque uma
das maiores causas de recessão é o excesso de capacidade. Temos
capacidade demais para produzir automóveis, eletrodomésticos,
eletrônicos e outros itens e isso derruba os preços. É necessária a
racionalização do setor. O que está sendo destruído é o excesso de
capacidade e os destruidores são os que se saem melhor em seu
setor.
Então, na era do caos, a destruição criadora será bem mais frequente e as empresas devem estar preparadas elas mesmas para promovê-la e, ao mesmo tempo, devem investir em novas marcas. Há a imensa oportunidade do Marketing social, por exemplo. Acabei de publicar, com Nancy Lee, um novo livro, Up and Out of Poverty: The Social Marketing Solution, no qual oferecemos uma nova abordagem para ajudar pessoas pobres a sair da armadilha da pobreza por meio de empresas praticando Marketing social.
O sr. pode explicar isso melhor?
Philip Kotler: Paradoxalmente, o problema do “excesso de
capacidade” é, em outra parte do mundo, um problema de “consumo de
menos”. Há 4 bilhões de pessoas pobres no mundo que adorariam ter uma
bicicleta, uma moto ou um carro, ou um computador ou uma TV. O problema
é que elas não têm dinheiro. Seriam o melhor mercado que alguém poderia
desejar se simplesmente tivessem dinheiro para comprar bens.
Descrevemos mais de uma dúzia de casos nos quais o Marketing social tem sido usado para aumentar a adoção de telas mosquiteiras para proteger crianças contra mosquitos e malária enquanto dormem, nos quais o Marketing de camisinhas reduziu o tamanho de famílias e preveniu a difusão do HIV e muitos outros exemplos. Recentemente, 700 profissionais de Marketing social se encontraram na Primeira Conferência Mundial de Marketing Social, em Brighton, Inglaterra, para trocar experiências e compartilhar ferramentas e tecnologias para combater as principais causas da pobreza.
E como deve ser o Marketing para investidores, já que o dinheiro é uma
questão-chave em tempos instáveis?
Philip Kotler: Muito bem lembrado. Caso a empresa não tenha
habilidade de Marketing para levantar dinheiro nestes tempos em que
ficarão mais freqüentes a escassez de fundos e o alto risco, é
particularmente importante que a desenvolva. Ela deve usar um Marketing
cada vez mais criativo para convencer os investidores a apostar em suas
propostas de negócios, já que hoje há abundância de oportunidades para
investir o dinheiro e muitos concorrentes dispostos a pagar um retorno
realmente alto. Toda empresa deve pensar em montar uma linha de
Marketing para trabalhar essa habilidade.
Com o aumento da tecnologia, o que o sr. acha que vai acontecer com
mercados como o de alimentos, muito importante no Brasil, por
exemplo?
Philip Kotler: Virá mais crescimento econômico dos avanços
tecnológicos, como robótica, nanotecnologia e biotecnologia, do que de
setores estáveis. Mas os mercados de alimentos e de outros itens
básicos vão permanecer fortes e relativamente estáveis. Sempre haverá
nichos de crescimento nesses setores, assim como nichos em
declínio.
Fonte: Mundo Marketing
www.mundodomarketing.com.br/7,10622,philip-kotler-fala-sobre-os-novos-tempos-do-marketing.htm
