Como aprimorar a persuasão de seu anúncio
Os estudos foram realizados com alunos de graduação nas universidades
de Ohio e Indiana. Na primeira série dos estudos, todos os alunos leram
um informe publicitário de uma hipotética loja de departamentos chamada
Brown, que apresentava alguns detalhes dos seus departamentos. Antes
disso, os alunos tinham lido uma descrição da loja de departamentos
Smith, sobre o novo carro Mini Cooper ou um resumo biográfico de um
estudante universitário hipotético.
Em todos os casos, a percepção dos alunos sobre a descrição da loja de
departamentos Brown foi significativamente afetada pela natureza da
mensagem anterior. Quando a primeira mensagem era mais frágil,
oferecendo menos fatos de suporte e/ou apoio do que a mensagem da
Brown, os estudantes avaliaram a loja de departamentos “Brown” em
termos mais positivos. Tormala considera que a segunda mensagem foi
vista como mais convincente quando a primeira continha relativamente
menos informações.
O que é particularmente significativo é que não importa se a primeira
mensagem era relacionada com a segunda ou completamente independente,
como no caso do carro ou do resumo biográfico. Simplesmente ser
precedida por uma mensagem menos informativa fez a loja de
departamentos Brown ser percebida como melhor. Inversamente, quando as
descrições anteriores continham mais informação do que a mensagem da
Brown, a avaliação da loja piorou.
Com menos informações sobre os primeiros itens, os participantes tinham
a sensação de que sabiam mais sobre Brown. Tormala explica que, quando
as pessoas pensavam que tinham mais informações favoráveis sobre a
Brown elas gostavam mais da loja, embora a quantidade real de
informação disponível não tenha sido alterada.
Uma segunda série de estudos analisou como outra variável, a
credibilidade das fontes, afetou a capacidade de persuasão de uma
mensagem. Nesses estudos, os alunos foram levados a crer que a sua
universidade estava pensando em implementar exames abrangentes como
condição para se formar. Todos os participantes receberam uma sugestão
sobre a mudança anunciada, dizendo que ela foi escrita por alguém que
normalmente seria percebido como moderadamente crível, um professor
universitário local.
Anteriormente, os alunos tinham lido outra mensagem diferente sobre o
apoio a uma nova política que exigia a prestação de serviços à
comunidade do campus. Os pesquisadores disseram para alguns alunos que
essa mensagem foi escrita por alguém com baixa credibilidade, um
estudante de 14 anos, enquanto disseram para outros que a mensagem foi
escrita por alguém de grande credibilidade, um professor de
Princeton.
Os participantes responderam mais favoravelmente à segunda mensagem
sobre o exame abrangente, supostamente escrita pelo professor
universitário, quando foram informados de que a fonte da primeira
mensagem que leram foi escrita pelo menos crível aluno de 14 anos de
idade em vez do mais crível professor de Princeton. Segundo Tormala,
esse resultado se compara aos dos primeiros estudos. Quando uma
mensagem moderadamente crível é precedida por uma menos crível, ela
parece ser mais convincente.
Essa pesquisa sugere que pensar na adaptação do contexto da mensagem
das campanhas de publicidade é tão importante quanto pensar sobre o
conteúdo. Os publicitários, por exemplo, podem querer veicular os seus
comerciais de TV depois de algo relativamente mais insípido.
Tormala ainda sugere que os anunciantes podem até dar um passo mais
radical e considerar a compra do anúncio anterior, e preenchê-lo com
uma mensagem menos convincente para uma marca ou produto diferente. O
anúncio veiculado na sequência de um anúncio pouco atraente, para
qualquer produto ou marca, ajuda o mesmo a parecer mais persuasivo.
Tal lubrificante para a roda da persuasão, como Tormala argumenta, não
deve ser visto como manipulador. A informação dessa pesquisa pode ser
usada para vender produtos, promover um candidato político ou
importantes mensagens sobre saúde, tornando a comunicação mais
efetiva.
* Marcos Facó é Superintendente de Marketing da Fundação Getulio Vargas
– FGV, Mestre em Administração pela FGV, MBA em Marketing pela PUC-RJ,
Pós-graduação na Ecolé Polytecnique Fedéralè de Lausanne – Suíça,
formado em arquitetura e engenharia civil pelo Mackenzie, e é co-autor
do livro Marketing Educacional.
