É muito comum ver um vendedor explicar por que não vende, e
normalmente o culpado sempre é o mercado, a crise e o pior, o cliente.
Não dá mais para ficar no time das lamentações, dos que explicam muito
e pouco fazem. O fato é que estamos em 2010, e desde 1990, quando
comecei na área de vendas, e ouvi pela primeira vez o velho ditado
“enquanto uns choram, outros vendem lenços”, infelizmente isso sempre
será uma verdade.
No entanto, hoje vivemos num mercado muito mais seletivo, com
tempo escasso, com maior informação e opções parecidas, compatíveis,
com qualidade e preços nivelados aquilo que vendemos, sejam produtos e
serviços. No primeiro treinamento de vendas que realizei como
profissional especializado no desenvolvimento de equipes comerciais, em
2000, arrisco dizer que não seria possível treinar aquela turma
de vendedores hoje com o mesmo discurso da época. Basta refletir, sua
empresa ou qualquer outra vende como vendia há uma década?
O mundo novo dos negócios é demandante de consultores de vendas,
aqueles que criam clientes amigos e fãs de nossas marcas e soluções.
Não estamos mais atendendo, entregando e cobrando, estamos ao lado dos
clientes, procurando tornar nossa proposta ao máximo única, útil e
desejável. Desejo é o que vale nas vendas consultivas, que tanto se
fala hoje.
Só seremos vendedores consultivos ou consultores de vendas, quando
estivermos conscientes que: o cliente é o protagonista da venda; o
cliente é quem põe pão e leite na nossa mesa; o cliente não é fiel se
não formos fiéis a ele; o cliente não precisa daquilo que vendemos
quando a proposta é igual a de todos os concorrentes; cliente
paga mais quando recebe mais; o cliente não é único, nem pode ser
taxado pelo que aparenta, fala ou decide comprar; o cliente é capaz de
promover sua ascensão, assim como a sua destruição, de forma não
aparente e por fim; devemos dar graças aos céus, vibrar, sentir o
máximo entusiasmo por ter todo santo dia eles, os clientes.
Mas, como você classifica e age com seus clientes? Tem gente que
atribui ao cliente os adjetivos tais como “cliente implicante”,
”resistente”, “arrogante”, “chato”, e no linguajar mais chulo, se ouve
coisas péssimas como: “cliente mala, caroço, carne de pescoço”.
Certamente você nunca ouviu nada parecido, não é mesmo? Ironia à
parte, eu espero que não seja assim que esteja vendo os seus clientes,
ao contrário, que tenha uma visão consciente de como o cliente é
essencial, como descrevi anteriormente.
Pode ser que agora você esteja querendo que eu te diga: O quê
fazer com os clientes que não permitem muito envolvimento? Como fazer
quando tenho que falar com a área de compras, que só quer preço e
prazo? O que fazer quando o cliente exige tudo e não lhe dá espaço para
justificar e convencê-lo?
Uma verdade: o cliente nunca lhe dará o valor que merece, quando
você não o sabe fazer valer. É certo que existem clientes que só focam
preço baixo, mas reflita de novo sobre algo bem importante: todos só
querem preço? Você já viu produtos e serviços mais caros venderem bem?
Você já disse não para um pedido de desconto e o cliente depois voltou
e comprou?
É preciso entender em linha geral que os clientes são diferentes e
não será possível entendê-los sem antes ter a estratégia e o argumento
para três possíveis categorias de clientes:
1) o cliente compra pelo preço com qualquer empresa ou vendedor do
mercado: neste caso o vendedor pratica a venda transacional, a que
quase não existe envolvimento, apenas a troca do produto/serviço pelo
dinheiro que será pago por ele, apenas uma transação.
2) o cliente compra valorizando a experiência da empresa, a
qualidade, principalmente o resultado que ele terá (ganhos intangíveis
e emocionais tais como: lucratividade de sua empresa, produtividade dos
funcionários, conforto familiar, segurança, status, saúde, beleza,
bem-estar, etc.)
3) o cliente compra baseado no relacionamento e precisa de apoio
na definição detalhada daquilo que melhor atenda sua necessidade,
normalmente, não gosta de ter muito trabalho e prefere ser orientado e
ter acompanhamento. Este tipo de cliente é aquele que demanda uma venda
empreendedora, de alto nível de envolvimento.
Vamos falar caso a caso, de forma inversa, do mais alto para o
mais baixo nível de envolvimento.
Quanto maior o nível de envolvimento, mais investimento de ambos
os lados. O cliente pagará mais, desde que ache justo e esteja
convencido. O preço para o cliente com alto nível de interesse e
predisposição a lhe dar espaço como consultor de vendas é o segundo, ou
melhor, até o terceiro ou quarto fator no plano de decisão de compra.
Ele antes quer se sentir seguro e realizar a compra certa.
O cliente que valoriza o resultado, no entanto, de forma mais
equilibrada não foca o desconto, a não ser que não enxergue nada a mais
na sua proposta. Venda consultiva é o que ele ou ela espera. Portanto,
quem entender antes de atender vai conseguir vender. O processo de
vendas passa por uma boa comunicação e a prática de perguntas eficazes
para desvendar necessidades. Jamais se deve supor o que ele
precisa.
O cliente de pouco envolvimento, preferi deixá-lo para o fim por
que é aquele que está na maioria das situações para os vendedores
Brasil a fora. Eles existem, mas são os mais raros, por que este tipo
de compra, focada no preço é uma resposta ao vendedor despreparado,
tirador de pedidos, que não cria valor, não faz perguntas, não desperta
interesse e quer ter sucesso, apesar do cliente.
Quanto mais você entender o cliente antes de atender, mais irá
definir o potencial e o nível de envolvimento, por que o cliente
investe mais quando recebe mais. O investimento que você faz é
absolutamente proporcional ao que o cliente investirá em você, em
termos de tempo e dinheiro. Você e sua empresa merecem o melhor
resultado, por isso, livrem-se dos pré-julgamentos comerciais e dos
pensamentos comuns entre vendedores de que seus clientes não podem
comprar mais e mais. Faça algo mais e terá clientes fãs e até amigos,
isso é o resultado que visa verdadeiro sucesso em vendas.
Faça por merecer!!! Sucesso e Inteligência em Vendas!
Por Marcelo Ortega
Fonte: HSM Online