Atendimento ao cliente na visão dos CEOs
Um varre o chão. O
outro recebe e-mails de reclamação no celular e responde na hora. Mais
um entra a noite para resolver todos os problemas. Assim é a vida
dos principais executivos de empresas como O Boticário, HP, Porto
Seguro, Golden Cross, Lojas Renner, Brasilveículos, Magazine Luiza,
Odontoprev, Outback, SulAmérica, Nextel, Coca-Cola, Itaú e Motorola.
Pelo menos é o que eles disseram quando o assunto é atendimento ao
cliente, em debate organizado na última semana pelo Instituto
Brasileiro de Relações com o Cliente (IBRC). Acompanhe a seguir os
principais trechos.
Artur Grynbaum, CEO de O Boticário
“Um dos diferenciais do Boticário é que o cliente não busca apenas um
produto, mas uma experiência. Temos 15 mil consultoras no Brasil em
nossas lojas franqueadas e, se o consumidor não tiver uma boa
experiência, ele vai ficar com essa impressão sobre a marca como um
todo. Por isso, todo mundo tem que se preocupar com o cliente. Todos
nós representamos a marca. Sou um despertador. Meu papel é acelerar. É
preciso resolver qualquer problema de forma imediata e, por isso, tenho
uma proximidade muito grande com o SAC”.
Luiza Helena Trajano, Presidente do Magazine Luiza
“É o cliente quem paga o nosso salário. O complicado é que ele quer
uma coisa agora e daqui a 15 minutos quer outra. Não tem jeito de ter
bom atendimento se as pessoas do SAC não estiverem comprometidas. Hoje,
o SAC é o único departamento operacional que eu cuido diretamente. Se
tem um e-mail aqui no meu iPhone de uma reclamação, eu respondo.
Atendimento e inovação é o que diferencia uma empresa da outra”.
José Galló, CEO da Lojas Renner
“É impossível criar uma empresa duradoura em que o encantamento ao
cliente não permeie todos os colaboradores, não só as pessoas da ponta.
Esse é o grande mandamento da Renner. Não temos SAC, nem 0800. Temos 11
mil pessoas para resolver os problemas. Meu negócio não é ser
presidente. O patrimônio não é o lucro, são as histórias de
encantamento do cliente”.
Salim Maroun, Presidente da rede de restaurantes
Outback
“Meu desafio diário é ser a pessoa que melhor varre o chão da loja.
Trabalho para achar as pessoas certas, para saber se ela tem uma alma
para a excelência. Sei que erramos, mas queremos pessoas que sejam
donas do negócio. O meu trabalho é criar uma estrutura que deixe as
pessoas orgulhosas”.
Fabio Luchetti, CEO da Porto Seguro
“Estamos tomando conta dos sonhos das pessoas. Por isso, o nosso maior
patrimônio são os relacionamentos. Temos sonhos que precisam ser
protegidos. Nossa marca é ativada em um momento delicado e o meu grande
papel é ser guardião da filosofia da empresa, passando isso para todos
os líderes”.
Thomaz Menezes, CEO do Grupo SulAmérica Seguros
“Vendemos uma expectativa e a necessidade de prestar um serviço à
altura desta expectativa é a nossa maior missão. São 12 milhões de
ligações por ano. Isso é muito complexo, mas temos que ter
responsabilidade no atendimento ao cliente. O CEO tem que liderar. Cada
colaborador tem que ter a responsabilidade, o comprometimento e o
engajamento com o cliente. Os 114 anos de sucesso não garantem os
próximos anos”.
Julio Cezar Oliveira, Presidente da Brasilveículos
“Temos o papel de fazer com que todos os colaboradores estejam
comprometidos com o atendimento. Tem que colocar a mão na massa e
sentir o cliente para ter a percepção dele com relação ao serviço, que
hoje é desenhado de fora para dentro. O presidente tem que colocar a
cara para bater em todos os campos de atendimento”.
Oscar Clark, CEO da HP do Brasil
“Não há nada mais importante do que o cliente. É óbvio que erros
acontecem. Não consigo sair antes das 11 da noite da HP, porque
ouço todas as demandas. A estrutura de uma multinacional é complexa,
mas temos que dar prioridade ao cliente”.
João Carlos Regado, presidente da Golden Cross
“O grande desafio é ter o cliente satisfeito. A empresa precisa ser
virtual e estar presente na vida das pessoas para atender o cliente sem
que ele precise entrar em contato”.
Randal Zanetti, CEO da Odontoprev
“O nosso negócio não está relacionado apenas à saúde, mas ao bem
estar. Isso é um desafio que faz com que nos preocupemos com
o atendimento. A empresa precisa reagir desde a ponta até todos os
colaboradores para fazer com que o atendimento seja satisfatório. Sou a
ponta deste processo e atuo para fazer tudo funcionar em todas as
esferas da empresa. Por isso, a nossa remuneração variável leva em
consideração a satisfação do cliente, do colaborador e do conveniado.
Isso garante um atendimento sustentável”.
Marcos de Barros Lisboa, Vice-Presidente do Itaú
“A nossa função não é simples, mas fascinante. Estamos muito dentro da
vida do consumidor com produtos que são complexos e com muitas pessoas
tendo acesso recente a eles. Criamos uma diretoria de qualidade que
reflete a cultura de atendimento ao cliente. A nossa remuneração
variável também depende da satisfação do cliente. Qualidade de
atendimento é um ponto central na nossa cultura hoje”.
Mauricio Minas, Vice-Presidente do Bradesco
"O Bradesco se relaciona com o cliente desde a época em que nem todas
as pessoas tinham contato com um banco, quando um visionário chamado
Amador Aguiar criou a filosofia de atender todos os clientes da
melhor forma. Temos 52 milhões de clientes que se relacionam com o
banco em diferentes canais. Monitoramos o Twitter, por exemplo, de onde
vimos que havia um cliente reclamando que estava há vários minutos numa
fila para quitar um leasing. Ligamos para a agência, um funcionário o
retirou da fila e resolveu o problema em cinco minutos. O desafio é
tratar clientes diferentes de formas diferentes".
Marco Simões, Vice-Presidente de Comunicação e Sustentabilidade da
Coca-Cola
“Temos um problema bom. Somos um país de massa. Temos 190 milhões de
consumidores hoje e o nosso desafio é trabalhar a partir de uma
rede de varejo representada por um milhão de pontos-de-venda.
Desde o grande varejo até a birosca da esquina. Temos que atender cada
cliente de forma especial. Estamos aprendendo a atender a nova classe
média e trabalhando até na formação profissional em lugares onde não
estávamos presentes”.
Sérgio Buniac, Vice-Presidente Executivo da Motorola
“Antes do mercado de celulares ser o que é hoje, a Motorola já estava
no Brasil. Tinha sete pessoas, sendo duas de atendimento. Eu ligava
para os clientes e ouvia suas necessidades. O que eles pedem não é nada
menos que o básico. Por isso, todo mundo tem que ter autonomia para
resolver os problemas a agir proativamente. Não descanso um dia até que
os problemas estejam resolvidos e trabalho para achá-los antes que
apareçam”.
Alejandro Raposo, Vice-Presidente da Nextel para América
Latina
“O setor de telecomunicações tem sido muito criticado e nos destacamos
pela consistência do que fazemos com simplicidade. Está nos nossos
valores o compromisso com o atendimento ao cliente”.
Fonte: Mundo Marketing
www.mundodomarketing.com.br/14,14595,atendimento-ao-cliente-na-visao-dos-ceos.htm
